2019-01-13 17:59:00
Guias de Soutelo. “É tão bom ajudar os outros...Estou aqui para crescer!”
União, solidariedade, diversão e muita amizade. É esta a forma de ser e estar no mundo da Companhia de Soutelo da Associação Guias de Portugal. Com seis anos de atividade, a companhia acolhe de braços abertos crianças e jovens raparigas para integrar a ‘escola’ de Guidismo, onde se desenvolvem múltiplas e diversificadas atividades durante o ano. O trabalho do grupo inclui diferentes ações de voluntariado, como limpeza de rios e recolha de donativos para ajudar causas sociais. De saco às costas, as guias procuram sair da sua zona de conforto a acampar todos os anos num lugar diferente em Portugal, promovendo diversos momentos de partilha e confraternização. A par disso, juntam-se durante as tardes de sábado para levar a cabo diferentes atividades lúdico-pedagógicas.
A organização das Guias é adaptada a cada idade, dividida em quatro ramos: Avezinha (6-10 anos), Aventura (10-14 anos), Caravela (14 a 17 anos) e Moinho (17 a 21 anos) e dirigentes. Embora distribuída em categorias, as Guias de Soutelo estão em permanente contacto como forma de cruzar diferentes gerações, onde se partilha aprendizagens/experiências distintas. Ser solidário é um dos aspetos que o Movimento trabalha com grande dedicação e empenho. Prova disso mesmo é o testemunho de Tatiana Canto, guia de Soutelo desde os 10 anos de idade, que afirma: “É tão bom ajudar os outros...e a minha ideia é continuar cá, estou aqui para crescer!”.
“Depois de estar aqui, vou muito feliz para casa!”
Muito feliz por fazer parte das Guias, agora com 16 primaveras contadas, Tatiana relembra a passagem pela companhia ao longo de seis anos de experiência. Primeiro conta como tudo começou e, posteriormente, frisa a importância do projeto na sua vida. “Eu vim para cá depois de ter estado no arraial em Soutelo, onde vi as Guias a vender produtos. Falei com a minha amiga Mafalda e quisemos logo experimentar. Chateámos tanto as nossas mães… até conseguirmos entrar! Hoje, estamos muito contentes por estar aqui”, refere. Para esta jovem, o papel das Guias é essencial para a sua personalidade, falando da independência e autonomia como valores que lhes são incutidos sempre que estão naquele ambiente. “Aqui aprendemos um bocadinho de tudo. O meu primeiro ‘choque’ foi o nosso primeiro acampamento, fora de casa durante uma semana. Depois, a nossa chefe mandou levar comida e chegaram lá e tiraram-na. A ideia era sermos nós a preparar a refeição e foi o que aconteceu”, conta, sem disfarçar o imenso orgulho em integrar a companhia. “É tão bom ajudar os outros...e a minha ideia é continuar cá, estou aqui para crescer!”, afirma, sublinhando que pertencer às guias também é sinónimo de diversão, “isto é divertido, fazemos jogos e muitas brincadeiras”. Por sua vez, Carolina Ribeiro, de apenas seis anos de idade, também se mostra muito feliz por pertencer à companhia: “Nós gostamos muito de estar aqui. Brincamos, estamos com amigas. Depois de estar aqui, vou muito feliz para casa!”.
Em 2012, o acampamento nacional foi em Soutelo
Chefe da companhia de Soutelo, Margarida Carvalho explica como surgiu o projeto. “No âmbito de expansão das Guias da região de Braga, fui desafiada a abrir uma companhia em Vila Verde. Como vinha morar para Soutelo, pensei que seria boa ideia. Hoje, estou feliz com a escolha”, revela. Depois de fazer as promessas, no dia 30 de setembro de 2012, o projeto estava oficialmente lançado. Desde essa data até hoje, o número de elementos de Guias varia entre os 20 e 24, a maioria de Soutelo. Sempre com o objetivo de crescer, Margarida refere todas as interessadas são bem-vindas: “Queremos manter este número, mas quantas mais aparecerem melhor!”.
Tal como as jovens Guias, a Chefe destaca o acampamento nacional realizado em Soutelo como um dos momentos altos. “Nós abrimos a atividade em 2011 e o primeiro acampamento delas foi precisamente em agosto de 2012, que foi o acampamento nacional em Soutelo. Claro que acampar com meninas de 10, 12 anos, fora de casa. longe de tudo e de todos… é muito complicado. A nossa maior aventura foi quando fomos a um acampamento de chefes e sub-chefes patrulha em Santarém com temperaturas de 40 graus, foi mesmo muito difícil de suportar”, conta.
“Colocar as crianças junto da natureza e a praticar o bem”
Além dos acampamentos nacionais e da vida em patrulha, a responsável pela companhia de Soutelo frisa a importância das diferentes atividades das Guias em contacto com a natureza e o meio ambiente. “As atividades ao ar livre são maioritárias. Fazemos várias ações relacionadas com o meio ambiente e temos uma parceria com o Conselho da Associação para a Defesa do Ambiente e dos Animais de Vila Verde. É realmente importante colocar as crianças junto da natureza e a praticar o bem”, vinca, acrescentando ainda a relevância das promessas, um ato que representa a progressão das guias e um compromisso social, de intervenção e ajuda a o próximo. “Sempre que vamos acampar tentamos entrar em contacto com entidades que nos possam levar a fazermos atividades de voluntariado. Em centros de dia, lares, creches… ou então fazermos recolha de lixos e limpeza de rios”, frisa Margarida Carvalho.
Com um sorriso no rosto, a chefe das Guias faz um balanço positivo e deixa três agradecimentos particulares, uma vez que tem sido através da ajuda dessas empresas que a companhia tem desenvolvido muitas atividades. “Tudo corre muito bem. Temos o apoio de várias entidades, a Paróquia de Soutelo e o Padre Marcelino, a Junta de Freguesia de Soutelo, a Pastelaria do Alívio e a tipografia Viana & Dias, em Prado. É graças a eles que conseguimos desenvolver um conjunto tão grande de atividades...”.
“Elas estão sempre a pôr-nos à prova!”
Margarida Carvalho reconhece que estar ligada ao projeto exige muito trabalho e dedicação, no entanto diz que é uma experiência “muito boa e gratificante”. “Não é fácil, eu tenho a minha família... Às vezes tenho que abdicar do meu fim de semana e dias e semana para ir às atividades com elas e a minha vida pessoal fica para trás. Mas vale a pena”, conta. Fez parte das Guias de Prado durante 16 anos e hoje sente a necessidade de partilhar o que já viveu: “Em tempos tive quem fizesse por mim e agora sinto essa responsabilidade de fazer por elas. A gente dá de nós, mas também recebe muito delas, também nos ensinam muita coisa. Até nos ensinam coisas que nem nos passa pela cabeça. Elas estão sempre a pôr-nos à prova. Trazemos-lhes uma atividade e, a partir dessa atividade, desenvolvem outras capacidades, principalmente a criatividade”, refere.
Feliz e com muito carinho pela companhia, Margarida está de pedra e cal nas Guias de Soutelo, pronta para continuar de mãos dadas com o projeto: “Claro que é para continuar!”.
VENHA CONHECER SOUTELO!
Santuário do Alívio
Fonte S.Miguel
Praia do Mirante
Cruzeiro dos Evangelistas